Please reload

Posts Recentes

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Posts Em Destaque

Derrubando mitos: "Nunca procurei ajuda porque achava que psiquiatra era médico só de maluco"

October 5, 2016

 O título deste post talvez seja uma das frases mais ouvidas por psiquiatras e psicólogos em consultas de primeira vez. Em pleno século XXI, ainda enfrentamos muita resistência e muito preconceito em relação aos transtornos mentais, aos pacientes que deles sofrem, às medicações psicotrópicas e, claro, aos profissionais de Saúde Mental. 

      Realmente, nas últimas décadas houve uma grande mudança nos diagnósticos e tratamentos psiquiátricos. Por ser uma transformação relativamente recente, muitas pessoas ainda têm crenças antigas em relação ao tema e, mesmo estando em sofrimento intenso, recusam-se a procurar ajuda especializada. 

      Se você é uma dessas pessoas ou se conhece alguém que ainda pense assim, talvez algumas informações sejam úteis. 

      

 

      1. Não. Psiquiatra não é  "médico só de maluco"!

      Todo mundo sabe que o ortopedista não trata só de fraturas ósseas; trata também luxações, tendinites, doenças musculares, artrites, etc. Todo mundo sabe que o cardiologista não trata só de infarto; trata também insuficiência cardíaca, arritmias e várias outras doenças do sistema circulatório.

     

Então não é difícil imaginar que o psiquiatra não trate apenas de "surtos psicóticos". O psiquiatra é responsável pela prevenção, diagnóstico, tratamento e reabilitação das diferentes formas de sofrimento mental, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, com manifestações psicológicas severas. São exemplos: a depressão, o transtorno bipolar, a esquizofrenia, os transtornos de ansiedade e as alterações comportamentais dos quadros demenciais.

      Apesar de parecer uma constatação simples, muitas pessoas ainda têm dificuldade em procurar atendimento psiquiátrico por acharem que  "psiquiatra é médico de maluco"; e, quando procuram, o fazem "escondido" de amigos e familiares, por se sentirem diminuídas. 

 

   2. Não. Nem todo paciente psiquiátrico é "maluco"!

      Como dito anteriormente, existem diversos tipos de transtornos mentais, desde os mais leves, como transtornos de adaptação e transtornos de humor leve, até os mais severos e incapacitantes, como casos graves de esquizofrenia. Talvez o preconceito maior gire em torno do paciente psicótico (vulgarmente conhecido como "maluco"), mas é muito importante ressaltar que muitos dos transtornos mentais se desenvolvem sem qualquer sintoma psicótico e, ainda quando presentes, poucos são os casos em que tais sintomas se manifestem continuamente. 

      Em outro momento falaremos das estatísticas sobre os transtornos mentais mas, só pra ilustrar o tamanho do "problema", segundo a Organização Mundial de Saúde, a depressão atualmente é a 4ª principal causa de incapacitação em todo o mundo; em 2020 será 2ª maior causa de incapacitação no planeta; em 2030, o mal mais prevalente no mundo. No Brasil, acomete 18% da populaçao, enquanto a tão "temida" esquizofrenia acomete 1%.

     

 

Só por aí já dá pra ter uma idéia de que o trabalho dos psiquiatras e psicólogos vai muito além dos quadros psicóticos. De acordo com este percentual, a cada 10 pessoas que você conhece, aproximadamente 2 têm ou já tiveram depressão. Sim! Dentre os seus amigos, seus familiares, seus colegas de trabalho...

Como você não percebeu ainda? Provavelmente porque muitas destas pessoas evitam tocar no assunto ou até mesmo pedir ajuda, por vergonha, e por achar que, de novo, "psiquiatra é médico de maluco".

 

 

3. Não. Tratamento psiquiátrico não deixa "dopado" nem "babando"!

      Ao contrário do que muita gente pensa, as medicações usadas em psiquiatria evoluíram bastante. Realmente, há 50 anos não existiam muitas opções de remédios e os pacientes eram tratados com "tranquilizantes" e o tão temido "choque".

      Felizmente a Psiquiatria evoluiu, e muito! Nas ultimas décadas foram realizadas muitas pesquisas, revistos os critérios diagnósticos e desenvolvidas inúmeras medicações entre antidepressivos, ansioliticos, antipsicóticos, estabilizadores de humor, etc. Muitas pessoas ainda resistem ao tratamento medicamentoso e evitam procurar ajuda profissional por acharem que ficarão muito sedadas, "dopadas", que sentirão todos os efeitos colaterais possíveis. Mais um grande engano: pela grande variedade de substâncias disponíveis, e após uma atenciosa avaliação do perfil de cada paciente, o psiquiatra saberá indicar a medicação mais adequada a cada indivíduo, na dose mínima eficaz, com o mínimo de possíveis efeitos colaterais, bem como orientá-lo sobre a necessidade de acompanhamento conjunto com psicólogo (psicoterapia). A intenção do tratamento medicamentoso com psicotrópicos é restabelecer as funções psíquicas do indivíduo em sofrimento e, não, piorá-las. 

 

 

 4. Não. Não tem necessariamente que tomar remédio pra sempre!

      Outro receio comum a muitos pacientes em início de tratamento é em relação ao tempo de tratamento e à possibilidade de "ficar dependente de remédio".

      Vamos lá: alguns transtornos mentais mais graves necessitam, sim, de acompanhamento contínuo por alguns anos e, às vezes, por toda a vida. Mais uma vez, vamos comparar com outras situações médicas comuns e "bem aceitas".

      Com certeza você tem um parente próximo ou conhecido portador de Hipertensão Arterial Sistêmica ("pressão alta") ou de Diabetes, certo? E certamente este paciente foi orientado pelo médico a manter uso contínuo de anti-hipertensivos ou hipoglicemiantes ou insulina. Ninguém vê perigo nenhum em manter o uso regular dessas medicações, correto? Mais ainda, todos concordam que o perigo está em NÃO tomar os remédios. Pois bem. Quando falamos em transtornos mentais crônicos e de difícil controle, o uso de medicações de forma contínua e por longos períodos muitas vezes se faz necessário, mas deve ser visto com o mesmo cuidado que o tratamento para qualquer outra doença crônica. Ninguém vê um hipertenso em tratamento como um "viciado em remédios para a pressão", não é mesmo?

      Além disso, como dito anteriormente, o transtorno mental mais comum na população em geral é a depressão, cujo tratamento, na maior parte dos casos, deve ser feito por um período limitado, de alguns meses (também falaremos disso em outro momento). Em grande parte dos pacientes depressivos, não há necessidade de uso de medicações "a vida toda"; e ainda assim, em casos de depressão leve e moderada, a associação dos tratamentos médico e psicológico é comprovadamente mais eficaz do que a medicação isolada. Isto significa melhor resposta, menor tempo de tratamento, menor chance de recorrência e, consequentemente, "menos remédio".

      Lembramos sempre que o uso de qualquer medicação, por qualquer período, deve ser feito APENAS com orientação e prescrição medica. 

      

 

      Bom, com certeza existem muitos outros mitos e dúvidas a serem esclarecidas. Estas são apenas as mais frequentes e que geram mais dificuldade para pacientes e familiares entenderem e aceitarem o tratamento. Nossa intenção é quebrar a barreira do preconceito e fazer com que mais pessoas busquem tratamento digno e adequado. Que os transtornos mentais sejam tratados com a mesma atenção e respeito que qualquer outro problema de saúde. 

     

      Um abraço e até o próximo post!

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Siga

I'm busy working on my blog posts. Watch this space!

Please reload

Procurar por tags
Please reload

Arquivo
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square

© 2017 por Mente em Foco. 

Fale com a gente (21) 3856-6889

                             (21) 98816-6638

  • Facebook Social Icon

Siga nossa página.

Niterói
R. Mem de Sá, 34 / 901 - Icaraí

São Gonçalo

Av. Presidente Kennedy, 735 / 1104 - Estrela do Norte